Cristiane Poleto
Brasília DF - 01/11/2014

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O solo com atenção na Construção Civil - O chão exige muito cuidado

24/07/11

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O chão exige muito cuidado


Na construção de imóvel, um engenheiro florestal, agrônomo ou geólogo bom são tão importantes quanto uma equipe qualificada de engenheiros civis e de arquitetos



  DANIEL GUERRA

dguerra@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Jornal da Comunidade




Marcos Paulo considera indispensável verificar previamente o solo na construção de empreendimentos de qualquer tamanhoFoto: Dinah FeitozaMarcos Paulo considera indispensável verificar previamente o solo na construção de empreendimentos de qualquer tamanho

Ao término de uma obra bem-sucedida, o resultado do trabalho, normalmente, é creditado aos arquitetos, engenheiros e, quando muito, aos operários. No entanto, profissionais de outras áreas participam do processo com a mesma importância de quem desenha a planta e executa o projeto. Há uma área da construção civil que pode até não ser notada, mas produz resultados imprescindíveis: a análise ambiental.

Neste meio estão inclusos pesquisas e estudos detalhados sobre diversos fatores e resultados ligados ao impacto causado pela obra no meio ambiente. Dentre eles, a análise do solo torna-se fundamental para que a construção civil não traga desdobramentos inesperados para a sociedade e, logicamente, para a natureza. Afinal, o chão é a base sobre a qual o projeto será erguido.


O solo é um material de construção natural, produzido ao longo dos tempos, que se apresenta sob diversas formas. Do ponto de vista puramente técnico, aplica-se o termo solo a materiais da crosta terrestre que servem de suporte à construção. Tais materiais reagem sob as fundações e sofrem deformações, influenciando as obras segundo suas propriedades e seu comportamento. Aí nasce a importância da análise.


O engenheiro florestal e técnico em geoprocessamento Marcos Paulo Ribeiro Kern, da Ecotech Consultoria Ambiental, destaca que verificar previamente o solo é indispensável para obras de qualquer tamanho. “Para as de pequeno porte e de caráter passageiro, muitas vezes a avaliação primária já identifica se é possível ou não construir naquela área. Em construções de casas e obras que não transferem muita carga para o solo, a análise não é imprescindível, mas recomendada para garantir a estabilidade de qualquer empreendimento”, destaca.


 


Grandes obras


As grandes obras são atividades de maior cobrança e aos envolvidos atribui-se responsabilidade maior. Marcos Paulo ressalva que, para empreendimentos maiores, é de suma importância avaliar a qualidade do solo e sua resistência, pois este deverá suportar uma enorme transferência de carga sem romper ou escoar.


Marcos explica o processo e os riscos de uma análise mal feita ou não realizada. “No solo as estacas são cravadas para dar sustentação a toda a obra. É o receptor final da carga dividida por elas, que nas obras maiores são chamadas fundações. Não analisá-lo traz um risco muito grande e o esforço que ele requer para suportar cargas, somado às variações de umidade que suporta, precisa ser avaliado sempre. Deve-se conhecer bem os limites de resistência do solo e a que ponto de umidade ele perde sua resistência”, resume.


Ele ressalva a importância de se observar a inclinação dos terrenos. “Solos de encostas tendem a escorregar ao perder resistência. Já em locais planos eles tendem a ceder. Isso acontece devido à má impermeabilização e compactação que permitem à água ocupar os espaços vazios do solo, aumentando sua umidade e tornando-o menos resistente”.


Neuza Tavares, 46 anos, tem um prédio com 14 salas, construído em 1996, em Taguatinga Sul. Na época, ouviu da empresa de engenharia contratada que a construção de três andares poderia afetar o córrego Cortado e o solo de regiões próximas. Com o laudo em mãos, foi atrás de  especialista em recursos hídricos.


Falta da análise causou desabamento


Dickran acha alto o custo-benefício da análise do soloFoto: Rose Brasil/CedocDickran acha alto o custo-benefício da análise do solo

A análise do solo é essencial antes de uma obra de qualquer dimensão. Um caso recente que ficou nacionalmente conhecido aconteceu em uma obra do governo federal: o desabamento do teto do túnel Cuncas I, localizado entre a Paraíba e o Ceará, o qual integra as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste relativas à transposição do rio São Francisco.

O incidente ocorreu no último mês de abril em Fortaleza e provocou a publicação, por parte do Ministério de Integração Nacional, de uma nota de esclarecimento na qual o órgão dizia que o solo possui consistência não uniforme nos arredores do desabamento. O governo garantiu que a análise do solo foi previamente realizada.


Dickran Berberian, engenheiro, professor da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da empresa Infrasolo, estabelece uma ligação interessante que ajuda a entender a importância da análise do solo.


“As chamadas sondagens de terreno estão hoje para a engenharia na mesma proporção que os exames clínicos preliminares apresentam-se para a medicina. Da mesma forma que um médico não opera o paciente sem examiná-lo, não deve haver obra sem sondagem”, compara.


O professor lembra que a relação custo-benefício da análise do solo é alta, pois a falta desta etapa em um processo de construção aumenta o nível de instabilidade da obra. “Deve-se realizar os furos de sondagem na proporção de um furo para cada 200 m² de área de projeção para que se avalie corretamente a estabilidade das escavações”, resume.


Fonte: http://comunidade.maiscomunidade.com/conteudo/2011-07-23/imoveis

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